quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

***

Enquanto teu rosto
passeia pela memória
dos dias que se perdem,
algo permanece
pairando sobre
o vazio
de meu olhar.

30/11/2010

domingo, 28 de novembro de 2010

***

No papel em branco,
vou desenhando teu silêncio.
Ao meu lado,
na folha multicolorida
de um passado remoto,
tua voz acaricia meu corpo.

Certo que a voz que me chega
não é voz,
mas roçar de palavras
sobre a pele;
carícias ousadas
sobre as palavras;
beijos no vento
que chega com teu cheiro;
êxtase que nos confunde
em meio à escuridão
de nós mesmos.

25/11/2010

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

***

Penso nos mortos
que se levantam na memória
de um dia
ainda por vir.
No armário,
as traças vão comendo
lembranças de um hoje
que se perde
em um olhar refletido no vazio.

12/11/2010

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

***

As palavras caem de tua boca
e formam estranhos desenhos no papel.
Revisito teu olhar
e ouço algo que se perde
entre um ontem
e o nosso tempo de estar.

Procuro palavras,
mas elas estão soterradas
em meio à escuridão
que chega nesta manhã
e nos faz pensar que
o hoje é ontem
e o amanhã uma incerteza
interposta entre nossas expectativas.

05/11/2010

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

***

***

Teu rosto se desenha
em nuvens que se dissolvem
no opaco azul das ilusões.

Escureço em meio a luz
que brota de teus lábios
e me dissolvo
na aurora de teus cabelos
no gesto mais sereno
de entrega e renúncia.

09/09/2010

sábado, 3 de julho de 2010

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Um pardal vai bicando,
pela calçada, pedaços de uma manhã incompleta.
Enquanto o observo,
recolho migalhas de luz
que caem dos olhos
como se fossem dádivas do dia.

A escuridão que nos chega
recobre os dons da aurora.
O tangível não se levanta mais
junto com o sol,
que apenas acaricia nossas melancolias.

(03/07/2010)

quinta-feira, 24 de junho de 2010


Na solidão comum
que emana de nossos olhares cansados,
de nossas expectativas não realizadas,
ficamos parados
em meio ao silêncio que se ergue
como um muro entre nós.

Em instantes,
momentos se delineiam
e os desejos buscam romper
o peso mortuário das palavras ressentidas
que sufocam a beleza
e a suavidade dos gestos.

(24/06/2010)

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Teu Rosto


As lembranças vão
se delineando e formam
novos desenhos que te trazem
a uma memória acostumada
em revirar velhas recordações
que te buscam e deixam
mais viva as lembranças de um tempo
resgatado na urgência do hoje.

(23/06/2010)

sábado, 19 de junho de 2010

FABER


No sol que se deita nos teus olhos,
aqueço as lembranças de um dia
perdido no tempo e resgatado na 
                    ´                        [memória                                                      
que te traz à tona sem grandes segredos.

As imagens escoam de nossas mãos
e se diluem em uma espera
que não nos traz certeza alguma
mas alimenta algo que está vivo,
perdido entre o peso do real
e um imaginário que nos constrói.

(18/06/2010)

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Me recordo de tua espontaneidade
nos gestos mais singelos
de teu ser,
de teu estar
em minha vida,
suave, belo e envolvente
como um beijo.

(21/12/2009)

Apenas Você

O que mais me fascina em você
não é teu hálito molhado
em meus lábios
buscando eternizar nosso momento;

nem tampouco
o desejo do beijo não realizado
                         presente no tremor de tua voz
ou do toque que não foi dado
                         impresso em tua pele
ou ainda o gosto de chuva em teus cabelos.

Também não são teus olhos, convidativos
a um mergulho no teu íntimo
para poder te ver desnuda
em teus momentos obscuros e luminosos.

O que mais me fascina
e ao mesmo tempo me desnorteia
é a certeza de,
ao te ver,
saber que ali está
apenas você,
na simplicidade que amo.

(27/10/2010)

Painel

O canto solitário de um pássaro
quebra a monotonia da tarde;
o vento vai levando
os pensamentos do agora
para as incertezas de um dia
que ainda chegará.

A tarde se move devagar
pelas órbitas de olhos que esperam
momentos antes sonhados.
Enquanto isto, o hoje me afirma
a certeza de um ontem
que se esvai pelas mãos do Tempo.

(07/11/2010)

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Imagem Calma

Te busco nas coisas mais simples,
como numa flor perdida nas páginas de um livro
ou num verso solto no papel.

Me visto de recordações
para sentir tua presença bem próxima a mim,
embora estejas tão distante e tão próxima.

Aportam-me lembranças de um ontem
que de alguma forma,
sem nossa permissão,
se constroem em um hoje
de gestos singelos e meigos.

(16/06/2010)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Convivência Amorosa 5

A necessidade que tenho de amar
te cristaliza em minhas retinas
e me faz acreditar
que o possível se dá
na medida em que construímos o impossível.

(04/11/2009)

Convivência Amorosa 4


Tua voz ao telefone
me alivia de uma solidão
que vem como um peso diário entre nós.
Há tanto a ser dito
e no entanto, as palavras somem.

O amor construído ontem
não me traz certeza alguma para o amanhã,
mas me dá o hoje,
e isto basta.

Em meio ao nosso abraço,
cheiros e inquietações se confundem.
Tua presença me oferta
algo intenso e profundo
que, acontecendo em si mesmo,
ecoa em mim
como um vento que paira sobre as águas.

Na construção de mais um dia,
algo novo vai surgindo
para consolidar velhas expectativas
que se renovam na forma mais singela
e se refletem em nossos olhares.

(11/12/2009)

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Construção

Fiz um poema
escrito na memória
que se perdeu no tempo,
em seu próprio tempo
de ser poesia.

(26/11/2009)

Poemas do Cotidiano 3

Hoje te senti
em um leve pensamento
que veio com o vento
e se foi na saudade.

(05/12/2009)

Reencontro

Quero hoje te redescobrir
não apenas na tua geografia
que se revela a mim
no tremor de teu corpo
ao meu toque,

mas perpassar por
esta expressão sofrida
que hoje me ofereces
para buscar algo
tão familiar e longínquo;

perceber teu olhar perdido,
como quem busca ver
que o distante está tão perto
e o perto não está
ao alcance das mãos.

Te redescobrir transformada,
com as cicatrizes do tempo
impressas nos pequenos detalhes
de teu rosto, em um olhar
que ainda nutre alguma esperança

no hoje, numa simplicidade
que chega até nós
não como um dia qualquer,
mas como um momento
que transpõe qualquer razão de ser.

(30/10/2009)

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Convivência Amorosa 3

Meu desejo
se alimenta da noite de tua boca
e se dissolve no amanhecer dos teus cabelos
quando meu corpo
se esgota sobre o teu.

(10/12/2009)

Convivência Amorosa 2

Enquanto nossos corpos
se buscam, se entendem, se amam,
se entregam e se esgotam,
nossas almas apenas precisam
da comunhão pacífica do silêncio.

(05/12/2009)

Convivência Amorosa 1

Quero o silêncio das palavras cansadas.
As palavras estragam
a beleza dos corpos
que nada precisam
para se amarem.

(05/12/2009)

Quando o amanhã for o hoje

Quando o amanhã for o hoje

E o ontem se tornar uma vaga lembrança,

Realização e frustração

Não se distinguirão

E a vontade de caminhar prevalecerá.


Agora, se o ontem me chegar no hoje,

Os desejos serão uma fotografia

Desbotada pelo tempo


(26/09/2009)

O Instante

“Tristeza de guardar um segredo
que todos sabem
e não contar a ninguém”


(Carlos Drummond de Andrade)


I

O instante. Segundos eternos.
Os olhares, encabulados, se cruzam
como o acanhamento do primeiro beijo.
Assim, nos abraçamos formalmente,
embora nossos cheiros nos confundam,
despertando sutilmente o beijo reprimido
como algo adormecido.
Nos despedimos, cabisbaixos,
pensando no agora.


II

O instante. Segundos eternos.
Os olhares, encabulados, se cruzam
com o acanhamento do primeiro beijo.
Nos abraçamos sem formalismos.
Nossos cheiros se confundem
e o roçar de nossas línguas vai
violentamente acordando algo adormecido
pelo tempo e circunstâncias.
Ficamos. O agora eternizou-se.

(27/07/2009)

Vigília

À noite, me vem lembranças tuas
que me paralizam os nervos.

No escuro, cubro-me de recordações
para aquecer-me de nossa solidão.

O vento que traz teu cheiro
resgata a memória de tua imagem
em minhas retinas.

Envolvo assim meu ser
com teu ser
formando a certeza do nós
em mais um dia que surge.

(20/10/2009)

Herança

De tudo fica um pouco:
Se fica teu cheiro e
a maciez de tua pele
em nosso abraço de despedida,
fica mais ainda
a certeza de nos vermos,
nos termos
de sermos
apenas nós.

(18/10/2009)

Poemas do Cotidiano 2

Minhas palavras
não têm forças
para chegar à escuridão
de teu silêncio.

Te procuro próximo à mim
e te vejo perdida
em ermos pensamentos.

Solitários, dormimos
nossas angústias lado a lado
esperando que a manhã
nos faça esquecer
de nossas pequenas misérias.

(01/06/2010)

Poemas do Cotidiano 1

O tempo se esvai,
os pensamentos aportam,
as expectativas partem
nas incertezas deste novo mar
que se renova perante mim
e me fazem crer que o possível
só acontece na medida de um hoje
que se descortina em tuas pálpebras
como um espelho que reflete o céu.

(27/05/2010)