quarta-feira, 2 de junho de 2010

O Instante

“Tristeza de guardar um segredo
que todos sabem
e não contar a ninguém”


(Carlos Drummond de Andrade)


I

O instante. Segundos eternos.
Os olhares, encabulados, se cruzam
como o acanhamento do primeiro beijo.
Assim, nos abraçamos formalmente,
embora nossos cheiros nos confundam,
despertando sutilmente o beijo reprimido
como algo adormecido.
Nos despedimos, cabisbaixos,
pensando no agora.


II

O instante. Segundos eternos.
Os olhares, encabulados, se cruzam
com o acanhamento do primeiro beijo.
Nos abraçamos sem formalismos.
Nossos cheiros se confundem
e o roçar de nossas línguas vai
violentamente acordando algo adormecido
pelo tempo e circunstâncias.
Ficamos. O agora eternizou-se.

(27/07/2009)

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