domingo, 28 de novembro de 2010

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No papel em branco,
vou desenhando teu silêncio.
Ao meu lado,
na folha multicolorida
de um passado remoto,
tua voz acaricia meu corpo.

Certo que a voz que me chega
não é voz,
mas roçar de palavras
sobre a pele;
carícias ousadas
sobre as palavras;
beijos no vento
que chega com teu cheiro;
êxtase que nos confunde
em meio à escuridão
de nós mesmos.

25/11/2010

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

***

Penso nos mortos
que se levantam na memória
de um dia
ainda por vir.
No armário,
as traças vão comendo
lembranças de um hoje
que se perde
em um olhar refletido no vazio.

12/11/2010

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

***

As palavras caem de tua boca
e formam estranhos desenhos no papel.
Revisito teu olhar
e ouço algo que se perde
entre um ontem
e o nosso tempo de estar.

Procuro palavras,
mas elas estão soterradas
em meio à escuridão
que chega nesta manhã
e nos faz pensar que
o hoje é ontem
e o amanhã uma incerteza
interposta entre nossas expectativas.

05/11/2010